Consumidores endividados aproveitam a época para limpar o nome, pensando nas compras do Natal e Ano Novo
Há menos de um mês da principal data para o comércio no ano, lojistas e consumidores se preparam para a maratona em que se transformam os dias que antecedem o Natal e as festas de fim de ano. Para quem está do lado de dentro do balcão, o momento já é de muito trabalho junto aos clientes mais precavidos e de contratação e treinamento de funcionários. Para os consumidores que já estão no vermelho e não querem perder a onda das compras natalinas, a hora é de pensar em usar o 13º salário para regularizar a situação junto aos órgãos de proteção ao crédito.
É o que pretende fazer a auxiliar administrativo Maria de Lourdes Lima, que teve o nome incluído no registro de devedores do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), depois de contrair uma dívida de aproximadamente R$ 950. “Acho a época bastante propícia para colocar o lado financeiro em dia. Não dá pra chegar no fim do ano com o nome sujo, justamente quando você mais precisa do crédito, para fazer as compras ou viajar”, afirma. O pensamento dela é o mesmo de 23,81% das 450 pessoas entrevistadas em uma pesquisa feita pela Câmara dos Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH), que também disseram que vão quitar as dívidas com o salário extra. A pesquisa, divulgada no último dia 24, apontou ainda que, em relação ao 13º salário, 19,55% devem poupá-lo, 18,8% devem utilizá-lo para as compras de Natal e 11,53% devem guardá-lo para pagar as despesas de início de ano.
As perspectivas para o consumo neste final de ano são mesmo positivas. Segundo um levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), a taxa de desemprego na Grande BH, de 10%, é a menor em oito meses e o salário médio alcançou, em outubro, a melhor marca nos últimos 13 anos, chegando ao valor de R$ 1.253. De acordo com o presidente da CDL/BH, Roberto Alfeu, a maioria dos comerciantes da capital aposta em um crescimento nas vendas na ordem de 6% a 10%. Para uma parcela mais otimista, 21,65%, o aumento no faturamento deve ficar entre 11% e 20%.
A pesquisa da CDL/BH quis saber dos entrevistados a forma de pagamento de preferência e os resultados foram surpreendentes. Apesar das facilidades no acesso ao crédito, um expressivo número de consumidores (38,5%) disse preferir fazer o pagamento das compras à vista e em dinheiro, assim como o técnico em informática, Rafael Viçosa. “Já me enrolei demais em compras com o cartão de crédito. Por causa do mau uso, cheguei a dever o dobro do valor inicial da dívida, que teve que ser renegociada. Agora, que já quitei tudo, procuro sempre pagar o que dá à vista. Vai ser assim no Natal”, conta.
Medidas do governo incentivam consumo
O consciente Rafael, além de preferir pagar as compras à vista, agora quer usufruir das recentes medidas adotadas pelo governo para terminar a reforma e mobília de seu apartamento, recém comprado. As medidas se referem à prorrogação da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para o setor de materiais de construção, até março de 2010, e da extensão do benefício para a indústria moveleira. O anúncio das novidades foi feito pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, no último dia 25, um dia após ter anunciado a redução do IPI para os carros com motores bicombustíveis, também até março do ano que vem.
As medidas, que visam incentivar o consumo, através do 13º salário, convenceram Rafael. “Esse alívio no bolso vai ser fundamental para terminar as obras, já que ainda estou pagando as dívidas que contrai para me casar”, conclui.
Fabricantes e vendedores de móveis comemoram a redução da alíquota do IPI para o setor moveleiro, que vinha sofrendo com a queda nas exportações e com a perda de mercado para os produtos da linha branca, que teve, recentemente, a redução do imposto. Eles garantem que o repasse do desconto para o consumidor vai ser feito, e deverá ficar em torno de 5%.